Pode um chip substituir uma área lesada no cérebro, exercendo pelo menos parte da função perdida?
Embora as chances sejam promissoras e entendendo cérebro como a parte do sistema nervoso dentro da caixa craniana, a resposta é não, pelo menos por enquan chips vêm exercendo grande impacto na biologia e devem acarretar descobertas importantes tanto para conhecimento do sistema nervoso como para diagnósticos clínicos e reabilitação. Atualmente já existem ‘biochips’ que permitem identificar alterações e detectar problemas em quantidades ínfimas de uma amostra. Estão em estudo outras possíveis aplicações chip, como substituto em áreas alteradas do sistema nervoso, onde, após do implantado, lançaria fármacos ou ativaria outras áreas cerebrais, como no caso do mal de Parkinson, inibindo os desconfortáveis tremores. No sistema nervoso periférico, dispositivos mioelétricos, que aproveitam os impulsos elétricos do músculo para associá-los a chips, estão sendo implantados com sucesso em casos de recuperação dos movimentos de flexão, extensão e rotação da mão.
Grande parte da dificuldade nesse campo vem da complexidade do sistema nervoso. Para funcionar adequadamente, ele requer uma organização estrutural definida, bem como moléculas e íons específicos. O sistema nervoso central compreende o cérebro, o tronco cerebral e a medula espinhal. É a região do corpo onde se processam as informações que vêm do ambiente e do próprio organismo
para poder manter o animal racional ou não vivo e interagindo com seu meio. Ele é composto por neurônios (células nervosas) e elementos responsáveis pela sua nutrição e sustentação, como as células da glia e os vasos sanguíneos. Os neurônios são ativados pelos estímulos que chegam das diferentes partes do corpo e do ambiente. Esses estímulos são captados, processados e conduzidos de uma parte a outra do neurônio por impulsos elétricos gerados por íons (elementos químicos com carga elétrica positiva ou negativa), principalmente de sódio,potássio, cloro e cálcio. A transmissão de informações de um neurônio para outros neurônios, músculos ou glândulas depende, em geral, de moléculas que o neurônio produz, chamadas neurotransmissores.
A quantidade e o tipo de células envolvidas no desempenho de uma determinada função, como andar, falar, ouvir, ver ou alterar o ritmo respiratório, formam os chamados circuitos neurais. Essa denominação foi adotada em analogia aos sistemas eletroeletrônicos. Vários fatores podem prejudicar o funcionamento de um circuito neural, como um acidente vascular cerebral (AVC ou derrame), um agente infeccioso, um processo tumoral, o acúmulo de líquor no cérebro (hidrocefalia) ou a perda de massa cerebral provocada por traumatismo. Dependendo da extensão e do local da área lesada, o dano pode incapacitar a pessoa atingida ou simplesmente não ser detectado. É possível também que haja malformações congênitas ou provocadas por desnutrição ou drogas que impliquem a ausência de partes do sistema nervoso ou do circuito ou ainda deficiências na produção de certas substâncias necessárias para a comunicação neural.
Essa complexidade do sistema nervoso tem dificultado as abordagens e o tratamento de disfunções e patologias. Contudo, sua plasticidade (capacidade de reorganizar conexões, dentro de certos limites, para suprir deficiências de determinadas áreas) permite que alguns problemas sejam contornados.
Os procedimentos atuais para recuperar as funções perdidas abrangem desde o uso de medicamentos, que ativam ou inibem o funcionamento de alguns circuitos ou de suas partes; técnicas cirúrgicas para remoção de coágulos, líquor, tumores ou agentes patogênicos; técnicas de regeneração de nervos lesados; implantes de células de outros órgãos (de glândula supra-renal ou células de doadores) até próteses mioelétricas (dispositivos elétricos, eletrônicos ou mistos).
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