Como agem os organofosforados no organismo humano e no de outros vertebrados?
Diferentemente dos pesticidas organoclorados (como o DDT), que apresentam grande estabilidade química e compreendem substâncias com relativa baixa toxicidade aguda, os organofosforados (como o Paration) não são persistentes no ambiente, mas podem causar graves transtornos nos sistemas nervoso e respiratório dos seres humanos e mamíferos, chegando a provocar a morte.
Essas moléculas sintéticas são amplamente usadas no controle das pragas que atingem a produção agrícola, assim como para combater vetores de malária e outras doenças. Graças a seu fácil acesso, não são raros os episódios de tentativa de suicídio (muitas com sucesso) ou envenenamentos acidentais. Sua ação tóxica ocorre através da inibição da enzima acetilcolinesterase, essencial à vida de inúmeras espécies animais. Em mamíferos, essa enzima está presente no sistema nervoso central e nos glóbulos vermelhos. A pseudocolinesterase, uma parente próxima também sensível a esses agentes, predomina no fígado e no plasma.
Uma vez iniciada, a inibição da acetilcolinesterase pelos organofosforados tende à irreversibilidade, gerando quadros
de intoxicação aguda ou crônica, dependendo do tipo de exposição à substância.Essas substâncias foram usadas na confecção de bombas de gás durante a Segunda Guerra Mundial.
Uma acetilcolinesterase é capaz de degradar 300 mil moléculas de acetilcolina (principal neurotransmissor do sistema nervoso parassimpático) por minuto. Sua inibição resulta no acúmulo desse neurotransmissor nas sinapses do sistema nervoso central, nas junções neuromusculares, nas terminações nervosas parassimpáticas e em algumas das simpáticas, como as glândulas sudoríparas. Isso pode causar a chamada “tempestade parassimpática”. Nesse caso, uma alta oferta de acetilcolina é oferecida sem controle a seus receptores. Um indivíduo agudamente intoxicado por qualquer inibidor de acetilcolinesterase pode morrer, principalmente pelo “afogamento” em suas próprias secreções, o que impossibilita respirar. Já as pessoas expostas ocupacionalmente podem desenvolver sintomas crônicos de difícil diagnóstico, relacionados a distúrbios no sistema nervoso central.
Nos quadros de intoxicação aguda, altas doses de sulfato de atropina são administradas repetidamente até controlar as secreções que impedem a respiração. A administração paralela da substância pralidoxima aumenta as chances de recuperação.
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