Os ursos hibernam, de fato?

 A resposta depende da definição de ‘hibernação’. Na literatura mais antiga, o termo era descrito como dormência associada a baixa temperatura corporal. Hoje, no entanto, é definido como redução do metabolismo em resposta à diminuição da disponibilidade de recursos e à baixa temperatura do ambiente. A temperatura do corpo do animal necessariamente não se reduz.

Durante muito tempo, parte da literatura especializada considerou – e ainda hoje há quem considere – o urso-preto-ameriUrsus americanus) e o urso-pardo (Ursus cano ( arctos), por exemplo, como falsos hibernantes, já que eles são capazes de manter a temperatura corporal elevada durante o período de hibernação. Segundo a definição mais moderna, eles podem ser considerados hibernantes altamente

eficientes, pois dormem meses seguidos sem comer, beber ou eliminar excreções. Mantêm, portanto, suas taxas metabólicas em níveis muito baixos. Na preparação para o inverno, U. americanus aumenta a capacidade de isolamento térmico graças ao espessamento de sua pele e de seus pêlos e acumula grande quantidade de gordura, que se deposita em espessas camadas.

  Essas alterações metabólicas, aliadas à posição encolhida que adota para reduzir a área de perda de calor, permitem que o animal conserve a temperatura corporal elevada (em torno de 31°C) e, consequentemente, desperte rapidamente em situações de perigo. Os especialistas fiéis à associação de hibernação com queda da temperatura do organismo consideram que os ursos passam por um processo de “letargia do inverno” e não seriam, portanto, animais hibernantes.

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